O caminho da maturidade na prevenção a fraudes em transações eletrônicas

Prevenção a Fraudes: Como Equilibrar Custo, Esforço e Retorno ao Começar

Nas nossas constantes reuniões com executivos de mercado, um tema tem sido recorrente: a preocupação com a prevenção a perdas e fraudes nas transações dos clientes. Se o problema não se impõe no presente, ele fatalmente surge com a evolução dos negócios. O grande desafio que essas empresas enfrentam é: como começar e como equilibrar a relação esforço vs. custo vs. retorno para justificar esse investimento internamente?

Empresas de cartões (débito, alimentação, refeição), hospitais, seguradoras, planos de saúde e até corretoras de criptomoedas estão chegando à mesma conclusão: a prevenção a fraudes no momento da transação tornou-se a “última fronteira”. É o momento crucial em que o fraudador já superou as barreiras de segurança da informação e está prestes a efetivar o golpe.

Um dos principais obstáculos que observamos é a estruturação inicial da área. É fundamental que a equipe de prevenção esteja diretamente ligada ao negócio, garantindo agilidade nas ações e total independência da TI.

Fatores de Validação Estratégica

Para definir a melhor equação de custo-benefício em cada organização, precisamos validar alguns pontos essenciais:

  • O cenário atual: Qual é o volume e o custo real da fraude hoje?

  • Exposição ao risco: Como a evolução do negócio amplia essa exposição? (Quanto mais opções de negócios, mais vulnerável a operação se torna).

  • Maturidade e Cultura: Qual é o nível de maturidade atual da empresa e do negócio?

  • Estrutura e Interação: Como a área de prevenção se estruturará e interagirá com as demais áreas de negócios?

  • Autonomia Tecnológica: A área possui ferramentas que permitam ações rápidas, sem depender do cronograma da TI?

A Jornada de Maturidade: Um Caminho Prático para Começar

Com base na nossa experiência convivendo com bancos de todos os portes e Instituições de Pagamento (IPs), sugerimos uma trilha de maturidade dividida em três etapas estratégicas:

1. O Modelo “D+1” (Análise em Lote)

Dependendo da maturidade do negócio, o ideal é começar com o processo em D+1. Em vez de processar transação por transação em tempo real, o motor de regras analisa lotes de dados. Isso permite identificar sequências de possíveis fraudes e reportar o problema para ação das áreas responsáveis.

  • Vantagens: É um processo mais acessível financeiramente e altamente eficiente para quem tem baixos índices de sinistros ou está iniciando a estruturação. Permite entender a fundo o comportamento do negócio antes de dar o próximo passo.

  • Simplificação Técnica: A integração é facilitada pela simples remessa de lotes para processamento, sem impactar os sistemas legados.

  • Resultados Reais: Em um de nossos clientes, implementamos esse modelo e conseguimos cessar uma fraude que já passava de R$ 2 milhões.

  • Nota: Nesta fase, o tempo é usado para formar analistas e estruturar o fluxo, lembrando que a ação de bloqueio imediato ainda não fica com a área de prevenção.

2. O Modelo “Near Real Time” (Quase Tempo Real)

Aqui, a transação é autorizada e, simultaneamente, enviada ao motor de regras para validação. Caso seja detectado um alto score de risco, as próximas transações com o mesmo perfil serão automaticamente negadas.

  • Vantagens: Grandes bancos utilizam esse conceito com sucesso. Ele se torna ainda mais poderoso se a etapa anterior (D+1) tiver sido cumprida, pois o motor já estará calibrado e a equipe preparada.

  • Evolução: Exige integração com o autorizador para que a decisão final passe pelo motor de regras. Aqui, a área de prevenção ganha controle direto sobre as ações antifraude, ganhando autonomia.

3. O Modelo “Real Time” (Tempo Real)

O nível máximo de segurança, onde a transação é autorizada ou negada instantaneamente pelo motor de regras. É o padrão indispensável para operações críticas como cartões de crédito, débito e internet banking.

  • Vantagens: Mantém o mais alto nível de proteção ativa. Exige uma infraestrutura de alta disponibilidade e garante à área de prevenção o controle total e imediato para barrar o fraudador.

Próximos Passos

Uma vez definida a estratégia de processamento, abre-se um leque de melhorias fundamentais: implementação de segundo fator de autenticação (reduzindo falsos positivos), identificação de pontos de comprometimento, entre outras. Mas o foco principal deve ser sempre o primeiro passo: saber por onde começar.

Quer entender qual desses modelos é o ideal para o momento atual da sua empresa? Conte com a nossa experiência e soluções para automatizar e proteger sua operação.

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